10 de ago. de 2010

Politicamente Correto

Sou brasileiro

Interesseiro

Amigo de mim mesmo

Casado com um espelho

Com a imagem que anseio

Transmitir ao meu parceiro

Egoísta, invejoso, traiçoeiro

Tropical de fruta cítrica

Azedo consigo mesmo

Não sabe cantar seu hino

Pisa em sua própria bandeira

Não desbrava suas terras

Prefere uma língua estrangeira

Faz piada de seus heróis

Passa a perna no vizinho

Canta a mulher do amigo

Fala mal do que é bom

Só pra se sentir no tom

Rouba, prejudica

Sua própria trajetória

Colhe os frutos que plantou

Finge que perdeu a memória

Mas só quer saber quem têm

Algum para lhe oferecer

Burro e preguiçoso,

Quer conseguir sem merecer

Ter muito emprestando pouco

Fazendo tudo pra se aparecer

Saiba que ali na frente

Você vai encontrar

com algum brasileiro

trabalhando duro

Tentando te enganar!

Guilherme Pinfildi Papaléo

9 de ago. de 2010

"As cores da montanha / e os sons que vêm do vale, / tudo, mas tudo mesmo, / é a própria voz e a forma / de Sakyamuni."

Autor desconhecido

30 de jul. de 2010

A fúria da beleza

Estupidamente bela
a beleza dessa “maria-sem-vergonha”
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência desse todo,
naquele instante não nos falta nada.
É um pá, um tapa, um golpe,
um bote que nos paralisa, organiza, dispersa,
conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.
Doeu tanto que eu dei de chorar.
Por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho.
Uma delicada flor ordinária,
brotada da trivialidade do mato,
nascida do varejo da natureza,
me deu espanto!
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo e me pôs a mesa…
é a porrada da beleza!
Eu dei de chorar de uma alegria funda,
quase tristeza.
Acontece às vezes e não avisa.
A coisa estarrece e abre-se um portal.
É uma dobradura do real,
uma dimensão dele,
uma mágica à queima-roupa sem truque nenhum.
E é real.
Doeu a flor em mim tanto
e com tanta força
que eu dei de soluçar!
O esplendor do que vi era pancada,
era baque e era bonito demais!
Penso, às vezes, que vivo pra esse momento indefinível,
sagrado, material, cósmico, quase molecular.
Posto que é mistério,
descrevê-lo exato perambula ermo dentro da palavra impronunciável.
Sei que é desta flechada de luz
que nasce o acontecimento poético.
Poesia é quando a iluminação zureta, bela e furiosa desse espanto
se transforma em palavra!
A florzinha distraída,
existindo singela na rua paralelepípeda esta manhã,
doeu profundo como se passasse do ponto.
Como aquele ponto do gozo,
como aquele ápice do prazer, que a gente pensa que vai até morrer!
Como aquele máximo indivisível,
que de tão bom é bom de doer,
aquele momento em que a gente pede pára
querendo e não podendo mais querer,
porque mais do que aquilo não se agüenta mais…
sabe como é ?
Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!

Elisa Lucinda

19 de jul. de 2010

Pode me chamar de puta

Pode me chamar de puta hoje eu trepo a noite inteira
Pode me chamar de puta nheco nheco a noite inteira
Sou rainha da sacanagem e já não faço mais segredo
Gosto de piroca grossa
A noite toda
Mas é um tal de nheco nheco
A noite toda
Nheco nheco nheco nheco
A noite toda
Pode me chamar de puta

Meu negão tá mi ligando, hoje à noite vai ser
doidera.
Boa a noite inteira, já me ligou, vai ser doidera.
Venha.
Vem negão pra minha cama, que frutas, traga maçã,
Já que mela o corpo todo, a gente dorme de manhã.
Entre nós o papo é reto, nada de mandar recado,
me faça de lagartixa, pode cometer pecado.
Sou rainha da catiguria, já não posso mais me crer,
Gosto de nheco nheco(a noite toda),
Mais é um tal de nheco nheco(a noite toda),
nheco nheco, nheco nheco(a noite toda).
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, a noite inteira,
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, nheco nheco a noite inteira
Meu negão tá me ligando, hoje à noite vai ser
doidera.
Puta a noite inteira, já me ligou, vai ser doidera.
Venha.
Vem negão pra minha cama, que frutas, traga maçã,
Já que mela o corpo todo, a gente dorme de manhã.
Entre nós o papo é reto, nada de mandar recado.
Me faça de largaticha, pode cometer pecado.
Sou rainha da sacanagem, já não posso mais me crer.
Gosto de nheco nheco(a noite toda),
Mais é um tal de nheco nheco(a noite toda),
nheco nheco, nheco nheco(a noite toda).
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, a noite inteira.

Dandara

16 de jun. de 2010

Big Bang

- o mistério da vida -

Somos filhos da estrela. Da grande explosão inicial.
Nascemos para o brilho. O corpo sacralizado.
Desde os primórdios dos tempos.
Ferro? Já estava lá. Magnésio? Também.
As estrelas? Aqui dentro.
O sol? Meu irmão.
Os planetas? Somos iguais.
Todos os homens trazem dentro de si todos os outros.
Um ser é outro ser.
Gente/alga/pedra/bactéria/.
Tudo mesmo mistério. Tudo mesma matéria.

Laura Esteves