2 de ago. de 2009

Simples

Sou estas palavras
onde me encaixo
com tudo
que tenho.

Com estas palavras
organizo hortas
e chuvas
de granizo.

Wilson Guanais

Libelo

Não mais trarei justificações
aos olhos do mundo.
Serei incluído
-pormenor esboçado-
na grande bruma.
Não serei batizado,
não serei crismado,
não estarei doutorado,
não serei domesticado
pelos rebanhos
da terra.
Morrerei inocente
sem nunca ter
descoberto
o que há de bem e mal
de falso oou certo
no que vi.

Roberto Piva

19 de jul. de 2009

Ah, próximos passos, como sofrem!

Mudar da ingenuidade de não conhecer quem és é saltar do penhasco sem saber o que está embaixo. Se não tem asas para escapar, ou um balão para te levar pro alto. Já era, foi, pum!

Ah, como é bom ser cego, surdo, burro. Mexer com a vida sem que ela se mexa. Mudar as coisas de lugar sem motivo, só para ver no que vai dar.

Mas que merda essa ninharia de virtudes que temos, essa ínfima quantidade de emoções enormes e maravilhosas que vivemos. Pare com isso, deixe de ser fútil e frouxo. Seja tu, seja teu, seja eu.

Então passe. Passa o tempo, passatempo, tudo novo. Como vim? Quando vou? Que papo furado. Só perguntas cretinas num monte de clichês, num monte de penas de pavão. Rabo aberto pra chamar atenção de si mesmo.

Então vá. Vá de carro, chegue logo, logo nada, ande e veja como, mesmo longe, a viagem tem seu prazer. De estar contigo, de estar contido, ouvindo, vendo… Agora sim…

Ah, próximos passos, como vocês sofrem.

16 de jul. de 2009

ARQUITETO DO SER

Acho a bala perdida
Na infância desnutrida
Onde o descaso é lida.
Arquiteto o mapa da fome
Que engole o homem,
Dados que consome.
Fabrico um novo ser
Sem ideal
Anti-social. Remédio letal.
Monto um homem
Sem face, sem nome
Com as sobras da fome.
Estabeleço regras
Aplico formulas
Estabeleço uma cadencia, sem decência.
Na desnutrida infância
Mapeo a coordenada
Vitoria assinalada, nada.
Bússola ao norte
Norteando a miséria
Querendo o querer.
Deleto a cria
Não soluciono a agonia
Durmo enquanto dia.
Na reengenharia social
Salvação. Reinvenção.

Moises Abilio

CINCO SEGUNDOS...ETERNOS

Luz vermelha
Da disparada dor
Cotidiana
Emana
A carência
Sem referência
O sinal vai abrir
“tio, óia o chiclete”.
à bala na mão
não no peito
no trânsito louco
transita a fome
que sujeita o homem
o sinal ta fechado
o coração também
a esperança acelera
fugiu avenida a fora
buzina agita
o peito grita
o som não sai
a fome mastiga
e por aí vai
o vidro ta limpo
sou malabarista e brinco
“tio, me dá”.
cinco...
segundos de atenção ““.
quero quebrar
da algema o elo
evitar o duelo
saí vencedor
na batalha final
ser bem, não mal.
chiclete ofertado
trânsito parado
vidro fechado
fim anunciado
na troca de balas
com todo efeito
não mais na mão
agora no peito
ajoelho e deito.
O semáforo abriu.

Moises Abilio