31 de mai. de 2010

Voragem

Abriu a janela e deixou que entrasse a chuva. Até que a
casa-casa se tornasse casa-rio, casa-mar. Até que surgissem
as primeiras algas e uma areia fina recobrisse o que era
ladrilho e mármore. Até que o primeiro peixe, veloz e
prateado, reinventasse prazeres e caminhos
E então, só então, adormeceu.

Márcia Maia

Gana

cravei as unhas
na pele da vida
com tanta vontade
que ela rasgou
e eu caí no chão
com os punhos cerrados
mas com as mãos cheias
de bons bocados

Ana Amaral

Jogo amoroso

Este é um jogo de perguntas e responstas. Regra n 1 - não duvide da
seriedade do questionamento, por mais banal e absurda que seja a
pergunta. Regra n 2 - quando não souber responder, responda assim
mesmo. toda resposta é uma boa resposta se for sincera. Regra n 3 -
coloque o vinho em duas taças na jogada.
Regras genéricas: o inquirido deverá dizer a verdade, mesmo que
mentiras pareçam necessárias. jogue de novo se não houver lua,
massagem e sexo emocionado durante a sessão de pergunta-responde.
O ganhador será aquele que amar primeiro.

Lou Bertoni

28 de mai. de 2010

Ato

palavras são chaves
pensamentos
sexo com amor
nem pesadêlo
nem sonho
atue realidade

Pedro Campos

26 de mai. de 2010

embolado poema

o escritor caminhante, escreve enquanto anda, ao passo que pensa, em papel pardo, letras tremidas, no ônibus, no táxi, andante poeta, andarilho contempla o trilho, troca a caneta. monta em um elefante, vai pra detrás do monte ver outro horizonte, mais condiz com o que sente. bela mercearia, paz durante noite e dia. veja! lá segue a confraria, oferecem bolinhos ornamentados manualmente pelas monjas virgens cegas tibetanas, raríssimas confabulam. verde luminoso esplendor ao nascer do dia, ocaso multicolor reflete luzes pensamentos, brilhantes quanto as estrelas da noite. e o vinho, que vinho! quero mesmo te mostrar, saboroso calor da fogueira que te espera a me esquentar. dia e noite silenciam, o mestre dos sonhos está pra chegar, com suas histórias havidas e outras mais, onde protagonizo mil vezes... até a hora de acordar.

pedro campos