6 de mar. de 2015

Picolé

          E agora, Picolé?

          A mídia ocultou,
          a eleição passou,
          o povo sumiu,
          a água acabou,
          e agora, Picolé?
          e agora, você?
          você que é tucano,
          que zomba petistas,
          você que faz promessas,
          que reprime protestos?
          e agora, Picolé?

          Está sem Cantareira,
          está sem discurso,
          está sem Alto Tietê,
          já não pode beber,
          já não pode plantar,
          banhar já não pode,
          o dia esquentou,
          o dilúvio não veio,
          o apagão não veio,
          o riso não veio
          não veio a utopia
          acionista lucrou
          e tudo acabou
          e tudo secou,
          e agora, Picolé?

          E agora, Picolé?
          sua falsa palavra,
          sua base aliada,
          sua Folha e Estadão,
          seu Serra e Aloysio,
          sua Caixa de ouro,
          seu teto de vidro,
          sua incoerência,
          seu ódio - e agora?

          Com a chave na mão
          quer abrir comporta,
          não existe comporta;
          quer extrair no morto,
          mas o morto secou;
          quer ir para Minas do Aécio,
          dele Minas não é mais.
          Picolé, e agora?

          Se você racionasse,
          se você perdesse,
          se você captasse
          o lamaçal Siemens,
          se você admitisse,
          se você renunciasse,
          se você morresse...
          Mas você não morre,
          você derrete, Picolé!

          Sozinho no escuro
          após estelionato,
          em agonia,
          sem água fria
          para refrescar,
          como bom tucano
          que fabula a galope,
          você mente, Picolé!
          Picolé, até quando?

Autor desconhecido.

5 de mar. de 2015

Amanheço

Migalhas 
Navalhas
Falhas caladas
Sem fadas 
Fardo
Silencio
Ausente cio
Seco rio
Risos falsos
Lagrimas indecentes
Coração ardente
Flores murchas
Luto cru
Alma vazia
Corpo sedento
Lamento
Sigo
Prossigo
Tento
Me canso
Encontro
Desencontro
Permaneço
Logo floresço
Aqueço
E amanheço
Para um novo começo .....


Anny Machado Buainain


Anny Machado Buainain

18 de jan. de 2015

E hoje vou dar um viva ao manifesto antropofágico. Ê, volta do mundo, camará. Eê, mundo dá volta, camará. E viva Luzia, a mais antiga mulher das américas. E viva Catarina Paraguassú, Chico Science, Clarice Lispector, Salman Rushdie e Malala, Lennon, Yoko e os panteras negras, George Harrison e Ravi Shankar, os três reis magos, Marco Pólo e Kublai Kan. E viva a mulher, que é o negro do mundo. Paul Simon e o Olodum. E as trans. E laikka, a cadela russa. E Trotsky. E Helena Blavatsky, Gandhi, Mandela, King. E todos os Mahatmas. E salve Tupã, Jaci, Jesus, Madalena, Alá e Aisha, mulher de Maomé. Sidarta, Krishna, Ogun e Oxumaré, Yashodhara, Lakshmi, Oxun, Yansã, Obá, Nanã e Yemanjá. E viva a Rainha da Floresta. Viva Sócrates e Diotima. Viva as crianças. E que a globalização esteja a serviço do humanismo. E vivam as narrativas dos homens, e que consigamos tirar delas o que há de melhor. E que elas nos façam mais amorosos. E viva Prometeu, que deu o fogo aos homens roubando-o dos deuses. 

Katia Arilha Fiorentino Nanci

1 de dez. de 2014

Aline Aubin

a minha irmãzinha querida ainda é uma pirralhinha no meu coração
e por esse motivo, eu fiz esse poema pra te encher de emoção
não importa se está perto ou se está longe
vai chorar quando cantar e vai fazer bico, um monte
quando uma musica tocar, ou uma lembrança ouvir
vai ter que pegar o paninho pra limpar o nariz
mesmo assim vai saber respirar
e enquanto falar sobre o amor, vai amar
e eu vou curtindo esse pedaço do meu coração
coração deste que você pode simplesmente chamar de irmão.

Fabio Aubin

20 de nov. de 2012

VULCÕES OU FLORES


Porque eu creio que há o mal,
É que irei praticar e me fortalecer no bem.
Por saber o valor do Amor
Devo propagar seu calor.
Pra quem se refugia na sombra do vulcão,
Peço que se prepare para as inevitáveis cóleras de fogo em cada violenta erupção.
Pra quem prefere guarnecer e fazer sombra para um broto,
Ao ver seu florescer terá prazer em dobro,
Por compartilhar do nascer da Vida,
Então terá no carinho a satisfação do seu esforço.
E verá que todo esforço ainda é pouco.
Como se pode ver,
Enquanto uns descansam em chamas,
Outros trabalham a Beleza do Amor,
E todo mundo colhe o que plantou.
Assim eu levo os frutos das minhas ações aonde eu for.
A diferença será o que terei em minhas mãos na hora da dor,
O que terei para pôr na ferida,
Brasa árdua ou pétalas amiga?
Esta escolha é a base da minha vida.
Nesta escolha defino a minha entrada,
O meu caminho,
E a minha saída.


(Marteluz de Jesus, 29812)