30 de jul de 2010

A fúria da beleza

Estupidamente bela
a beleza dessa “maria-sem-vergonha”
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência desse todo,
naquele instante não nos falta nada.
É um pá, um tapa, um golpe,
um bote que nos paralisa, organiza, dispersa,
conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.
Doeu tanto que eu dei de chorar.
Por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho.
Uma delicada flor ordinária,
brotada da trivialidade do mato,
nascida do varejo da natureza,
me deu espanto!
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo e me pôs a mesa…
é a porrada da beleza!
Eu dei de chorar de uma alegria funda,
quase tristeza.
Acontece às vezes e não avisa.
A coisa estarrece e abre-se um portal.
É uma dobradura do real,
uma dimensão dele,
uma mágica à queima-roupa sem truque nenhum.
E é real.
Doeu a flor em mim tanto
e com tanta força
que eu dei de soluçar!
O esplendor do que vi era pancada,
era baque e era bonito demais!
Penso, às vezes, que vivo pra esse momento indefinível,
sagrado, material, cósmico, quase molecular.
Posto que é mistério,
descrevê-lo exato perambula ermo dentro da palavra impronunciável.
Sei que é desta flechada de luz
que nasce o acontecimento poético.
Poesia é quando a iluminação zureta, bela e furiosa desse espanto
se transforma em palavra!
A florzinha distraída,
existindo singela na rua paralelepípeda esta manhã,
doeu profundo como se passasse do ponto.
Como aquele ponto do gozo,
como aquele ápice do prazer, que a gente pensa que vai até morrer!
Como aquele máximo indivisível,
que de tão bom é bom de doer,
aquele momento em que a gente pede pára
querendo e não podendo mais querer,
porque mais do que aquilo não se agüenta mais…
sabe como é ?
Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!

Elisa Lucinda

19 de jul de 2010

Pode me chamar de puta

Pode me chamar de puta hoje eu trepo a noite inteira
Pode me chamar de puta nheco nheco a noite inteira
Sou rainha da sacanagem e já não faço mais segredo
Gosto de piroca grossa
A noite toda
Mas é um tal de nheco nheco
A noite toda
Nheco nheco nheco nheco
A noite toda
Pode me chamar de puta

Meu negão tá mi ligando, hoje à noite vai ser
doidera.
Boa a noite inteira, já me ligou, vai ser doidera.
Venha.
Vem negão pra minha cama, que frutas, traga maçã,
Já que mela o corpo todo, a gente dorme de manhã.
Entre nós o papo é reto, nada de mandar recado,
me faça de lagartixa, pode cometer pecado.
Sou rainha da catiguria, já não posso mais me crer,
Gosto de nheco nheco(a noite toda),
Mais é um tal de nheco nheco(a noite toda),
nheco nheco, nheco nheco(a noite toda).
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, a noite inteira,
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, nheco nheco a noite inteira
Meu negão tá me ligando, hoje à noite vai ser
doidera.
Puta a noite inteira, já me ligou, vai ser doidera.
Venha.
Vem negão pra minha cama, que frutas, traga maçã,
Já que mela o corpo todo, a gente dorme de manhã.
Entre nós o papo é reto, nada de mandar recado.
Me faça de largaticha, pode cometer pecado.
Sou rainha da sacanagem, já não posso mais me crer.
Gosto de nheco nheco(a noite toda),
Mais é um tal de nheco nheco(a noite toda),
nheco nheco, nheco nheco(a noite toda).
Pode me chamar de puta...
Pode me chamar de puta, a noite inteira.

Dandara