28 de jul de 2011

Sensação de continuidade por linhas eletrônicas justapostas

Ininterrupto acúmulo de ídolos,
musas em pó,
legado da televisão eterna
para os adoradores de logotipos
cultuarem o não ser,
fim comum onde nada basta.
Televisões lançam luzes
nas esquinas decoradas pelo progresso
por onde a doutrina das latas de cerveja
enrola nas tardes as línguas de jornal,
afrouxa as gravatas
e autoriza motins às sextas-feiras.

Marcos Vieira Lobo

O LAVRADOR

AINDA DE MADRUGADA
LEVANTA-SE O LAVRADOR
PARA SUA TERRA SAGRADA
IR CUIDAR COM VALOR.
DA ALVORADA AO ANOITECER,
NO SUOR DO SEU ROSTO,
TRABALHANDO POR GOSTO,
AO FRIO OU AO CALOR,
VAI A TERRA REVOLVER.
PARA PODER PLANTAR,
PARA PODER SEMEAR,
PARA TIRAR ALIMENTO.
EMBORA NO MOMENTO
NINGUÉM LHE DÊ VALOR.

LÁ VAI O LAVRADOR
Á SUA LIDA COSTUMEIRA
TRATAR À SUA MANEIRA
A TERRA QUE DEUS DEU.
O HOMEM QUE É RICO
MAIS O HOMEM POLÍTICO
DESPREZAM O LAVRADOR.
AO TRABALHO NÃO DÃO VALOR.
MAS ELE JUSTO E RETO
CURVADO OU ERETO,
Á FORÇA DO SEU BRAÇO
TIRA DO SOLO ALIMENTO,
QUE O RICO NÃO DESPREZA.
E QUE SERIA BEM ESCASSO
SE O POBRE LAVRADOR,
NA SUA TRISTE POBREZA
OU EM ORGULHO SEU,
PARASSE DE TRABALHAR
A TERRA QUE DEUS DEU!

Victor Alexandre

27 de jul de 2011

Gaea

Senão do Caos aflora ao píncaro desnudo
A primogênese do então penumbro Olimpo:
Torrentes férteis jorram por seu farto busto
- Abunda a láctea ambrosia em tom retinto!

Senão em cálido fragor a Noite agarra
Ao cerne à mais primeva Mãe em leito à Terra;
Em desabafo, a Urano Gaea então narrara
O triste fardo qual tal sina ao ventre encerra

- Ao fim, à solidão resulta em pleno ápice
Senão mais lúrido auspício: arauto harúspice,
Evoca ao âmago materno à eterna Nêmesis:

"Nascei, oh Deus! E, ante ao Parthenon tal ágape,
Tornai a Mim tal como Hefesto ao fogo é cúmplice
- Fazei do olímpio gôzo Teu parthenogênesis!"

Diego Aurélio

Gaea

Senão do Caos aflora ao píncaro desnudo
A primogênese do então penumbro Olimpo:
Torrentes férteis jorram por seu farto busto
- Abunda a láctea ambrosia em tom retinto!

Senão em cálido fragor a Noite agarra
Ao cerne à mais primeva Mãe em leito à Terra;
Em desabafo, a Urano Gaea então narrara
O triste fardo qual tal sina ao ventre encerra

- Ao fim, à solidão resulta em pleno ápice
Senão mais lúrido auspício: arauto harúspice,
Evoca ao âmago materno à eterna Nêmesis:

"Nascei, oh Deus! E, ante ao Parthenon tal ágape,
Tornai a Mim tal como Hefesto ao fogo é cúmplice
- Fazei do olímpio gôzo Teu parthenogênesis!"

Diego Aurélio

26 de jul de 2011

co-rege

a emoção era tanta, tudo emergia e pairava ao meu redor erguendo em poesia corpo e espírito, enchi os bolsos de pedra pra não voar, ainda não estava pronto. quero ver o vazio crescer dentro de você até romper todos os tímpanos com seu grito desabafo estridente apaixonada, engolir com colher de arroz, que este velho mundo doente permita à cura novidade se abrir em oferenda qual botão de flor.

pedro campos

25 de jul de 2011

bueiros digitais

sem pesadelos
nem doces sonhos
sexo, amor, desejos
atuam realidades
palavras são chaves

erguem no pulso a poesia

pensamentos selos
abrem as janelas
causam acidentes
a inundar cisternas
transbordam emoções

erguem no pulso a poesia

tais cidades especiais
anunciam rios janeiros
edições arremessadas
às fagulhas aleatórias
light on plenos espaços

erguem no pulso a poesia

ondulam linhas tortas
tritongos selvagens
zoológicas perspectivas
avatares emaranhados
a fugir os doze macacos

Marcelo Dust, Pedro Campos e Rafael Pieroni

bela rita demasi

formosa figura
tua poesia solar
emana a imagem

intensamente pura
sensata no olhar
flagrante paisagem

desvia e conduz
delicada silhueta
vibrante e carnal

nuance meia luz
fogosa em conflito
divindade animal

invade o silêncio
maculando ruído
bruto formato vil
ante sensualidade
sinal provocante
em cada recorte

sensível presença
caliente arrepio
venenosa e viril
decote bronzeado
cor emocionante
suavemente forte

ah néctar exalante
suor tez beleza
dissipando nuvens

desejos delírios
nua pele morena
sabor de um beijo

incendiário pavio
contorno a adorna
dia e noite enseja

ares de serpente
chamar-te tereza
carícias amantes

pedro campos

olhOs arregaladOs

Essas tuas palavras-lâmina-algodão que a um só tempo desferem golpes profundos e amaciam meu entregue coração.

Vou transformar teu sorriso em arte. Pintá-lo, enquadrá-lo e pendurá-lo em cada uma das pontas dos fragmentos do meu coração. Teu sorriso quando se faz largo, quando se faz perverso, quando se faz Monalisa.

O vazio e a plenitude a transbordar
Enquanto atônitos meus olhos vislumbram
A lua a lamber as águas do mar.

Mirella e Pedro Campos

poético facto

poesias do mais puro nexo
palavras bem selecionadas
imitações assim assaltadas
o singelo diário escondido
seu verbo na frase medida
distinta em própria norma
é fibra rija e também latex
abarca evolui se trasforma
inspira, instiga a estimular
transpiração e criatividade
é ação, desejo a encontrar
agora é preciso ter atitude
colocar em prática virtude
temprana a aguda verdade
que o nosso valor significa

pedro campos

14 de jul de 2011

I

seja
verta
corrige
prepare
conjugue

uma na outra
lava tuas mãos
enquanto purgas
cura tuas chagas
acordar e dormir

sou
fui eu
depois pai
ser hei avô
para então filho

pedro campos