12 de out de 2011

A RUA É O MEU LAR

ERRANDO PELAS RUAS DA LINDA CIDADE
LÁ VAI A POBRE CRIANÇA DESALENTADA
MAGRINHA, FAMINTA, DESCALÇA, QUASE NUA.
AONDE VAI? PERGUNTEI COM CERTA CARIDADE.
OLHANDO-ME COM TRISTEZA NÃO FALA NADA.
DIGA-ME MEU MENINO QUE IDADE É A SUA?

NÃO SEI MEU SENHOR, EU SÓ SEI QUE TENHO FOME.
NÃO SEI QUEM EU SOU, NEM QUAL A MINHA IDADE.
SÓ SEI QUE ME EXPULSARAM LÁ DO BUEIRO.
E AGORA A VONTADE DE COMER ME CONSOME.
OS ADULTOS ME TRATAM COM TANTA MALDADE.
POR FAVOR, MEU SENHOR ME DÁ ALGUM DINHEIRO!

LEVEI-O NA LANCHONETE E ELE COMEU.
VÊ-LO COMER SE ME APERTAVA O CORAÇÃO.
DISSE-LHE: PARA MINHA CASA VOU-TE LEVAR.
ELE ME OLHOU ASSUSTADO E ME RESPONDEU:
MEU SENHOR, VIVER NUMA CASA NÃO QUERO, NÃO.
HÁ MUITO TEMPO QUE A RUA É O MEU LAR.

MAS MENINO, NA MINHA CASA VOCÊ TERÁ TUDO:
ABRIGO, ROUPA, COMIDA, ACESSO À EDUCAÇÃO,
PARA UM DIA ADULTO RESPONSÁVEL SE TORNAR.
ELE RESPONDE: ISSO PARA MIM NÃO É TUDO
QUERO LIBERDADE! UMA CASA É PRISÃO.
PORQUE INSISTIR SENHOR? A RUA É O MEU LAR.

VICTOR ALEXANDRE

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